TSE irá garantir tradução para línguas indígenas nas audiências públicas sobre normas das Eleições 2026

Iniciativa inédita é do ministro Nunes Marques, vice-presidente do Tribunal e relator das resoluções do pleito. Prevê tradução simultânea e intérpretes de três línguas indígenas nas transmissões das audiências, que ocorrem de 3 a 5 de fevereiro

Foto edifício sede TSE localizado em Brasília-DF

As audiências públicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tratar do texto preliminar das resoluções das Eleições Gerais 2026 contarão com tradução simultânea e intérpretes de línguas indígenas. A medida inédita é do vice-presidente do Tribunal e relator das resoluções do pleito, ministro Nunes Marques, e será implementada nos dias 3 e 4 de fevereiro, a partir das 10h, e no dia 5, a partir das 11h, durante transmissão ao vivo das audiências pelo canal do TSE no YouTube 

A iniciativa do ministro Nunes Marques tem como objetivo ampliar a inclusão, a diversidade e a acessibilidade. O trabalho irá envolver intérpretes das línguas Tikuna, Yaathe (Fulni-ô) e Kaingang, além de tradutores-intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais (Tilis).

O ministro foi também o relator da Consulta n. 0600222-07, apreciada pelo Tribunal em 27 de fevereiro de 2024, na qual ficou definido que as candidaturas de pessoas indígenas registradas por partidos e federações partidárias passarão a contar com distribuição proporcional — nos mesmos moldes estabelecidos às pessoas negras — de recursos financeiros oriundos do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), além de tempo gratuito de rádio e televisão.

Essa determinação de distribuição proporcional de recursos está agora consolidada nas minutas de resoluções, da relatoria do ministro, submetidas à audiência pública.

“A democracia incorpora demandas por igualdade, respeito a direitos, participação política e justiça social. Esse avanço representa passo importante na inclusão política dos povos originários, ao ampliar a pluralidade nas nossas instituições”, ressaltou o ministro Nunes Marques.

A iniciativa se insere no escopo da Resolução nº 74/135 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que proclamou o período de 2022/2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas.

De igual forma, abrange o objetivo 10.2 de redução das desigualdades previsto na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Diversidade linguística e representatividade 

A escolha das línguas considerou critérios como número de falantes, vitalidade linguística e abrangência territorial dos povos originários representados. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 391 etnias e 295 línguas indígenas. Entre as quatro mais faladas, estão a língua Tikuna, com 51.978 falantes, e a Kaingang, com 27.482.  

Por que as traduções nessas línguas?

Saiba os motivos pelos quais as línguas indígenas foram escolhidas para traduzirem os conteúdos das audiências públicas que o TSE fará a partir de terça-feira (3). Pelas informações que constam do cadastro eleitoral, a língua Tikuna é que mais tem registro entre as eleitoras e eleitores indígenas que declararam etnia e língua falada no cadastro.

Kaingang é também uma língua de grande abrangência na região Sul. Por sua vez, a língua Yaathe é falada e representa os povos indígenas do Nordeste. Já o povo Fulni-ô é um dos poucos que mantiveram a língua tradicional preservada.

Transmissão acessível 

As audiências públicas ocorrerão em formato híbrido, com participação presencial e por videoconferência, na sede do TSE, em Brasília, e terão transmissão ao vivo pelo canal oficial da Justiça Eleitoral no YouTube. 

Acesse a página das audiências para mais informações

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

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